butterfly

Era uma vez

Era uma vez uma menina sonhadora, que acreditava que a vida seria fácil, pois quando menos esperava Papai do Céu a abençoou com um príncipe que apareceu quase que em um cavalo branco e a encantou…

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Será que suas orações foram ouvidas? De mudar, de conhecer uma pessoa que cuidasse sem nada pedir em troca? Por que duvidar? Por que desconfiar?

Diferente dos meninos que conhecera, agora era um homem que se interessava por aquela criança, que andava descalça na rua, dormia de blusão e cujo maior sonho era ter uma turma pra chamar de sua.

Como poderia aquele príncipe fazer alguém sofrer? Tão carinhoso! Pouco tempo depois a menininha não tinha mais como voltar atrás - e porque voltaria, se tinha tudo em suas mãos -  sonho, carinho, amor.

Após meses o casamento aconteceu, mesmo sem a aprovação de todos. O dia mais feliz, o sonho realizado! Alguém em quem confiar. Se entregar de corpo e alma seria o mínimo! O ar faltava a cada instante, cada palavra deixava de ser uma mera palavra se saísse da boca do seu príncipe. Tudo ela colocaria a seus pés se fosse de sua vontade. A menininha se anulou completamente! A menina invisível ficou invisível até pra si, pois não pensava em mais nada que não aquele sorriso, saber que agradaria. Porém, quanto mais se dedicava, menos valor seu príncipe dava a suas palavras.

O sonho começou a desmoronar. O sonho se desfez dentro do seu castelo. Este começou a ficar diferente. Cheio de infiltrações, janelas foscas e quebradas. O chão era como areia movediça e sugava todos os sonhos, vontades ou desejos.

Como pôde o príncipe permitir aquilo? Destruir tudo o que poderia deixar aquela vida um pouco colorida! Lembranças foram quebradas, sonhos rasgados, o respeito fora esquecido. Mesmo assim, a menininha lutava! Ainda existia a lembrança das primeiras semanas dentro dela. A diferença é que a menininha estava olhando as coisas de forma diferente, talvez um novo ponto de vista, talvez estivesse nascendo nela uma mulher, que se deu conta que ela, e ninguém mais, era responsável por sua vida!

Tratando com sua vida como um retalho de sonhos desmoronados, se fez disposta a reerguer o castelo. Juntar os cacos de uma relação baseada em ilusões, agora ciente de quem é quem. Seu príncipe era um bichinho preguiça! Talvez esse seu pensamento a permitisse mudar o jogo, as regras, e quem sabe viver… Mas como num passe de mágica seu castelo se desfez e agora ela sentia que não conseguiria forças pra tentar. Faltavam-lhe forças pra falar, respirar reclamar, gritar… Para que? Para quem? Quem lhe escutaria? Se nem as flores do seu jardim conseguiam florir para trazer o sorriso de volta, quem poderia socorrer aquele espírito? Perguntas, perguntas, perguntas…

Mas nem mesmo a morte poderia ser mais forte que o amor de sua família. Quando seu corpo estava sendo levado para o precipício - onde ela sabia que nunca mais conseguiria por um fim neste desespero que lhe consumia - Sentia não tinha forças de sequer se manter de pé quanto mais respirar, sorrir (como era difícil)! Fingir então seria impossível…

Uma mão arrebatadora surgiu e uma voz a questionou: Por que de tudo isso? Quem saberia responder essa pergunta, se neste ponto as palavras não tinham o menor valor?

Quando tudo na sua vida deixa de fazer sentido você se surpreende se perguntando: Por quê? Aquela nova mulher não se pergunta isso, sabe de todas as suas decisões, que talvez não fossem as mais certas, mas eram as dela.


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